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Transpetro 2026 · Edital 01 · Quadro de Mar (Guarnição)

Simulado Transpetro 2026 de Eletricista: 5 questões comentadas

Cinco questões inéditas de Conhecimentos Específicos de Eletricista, no padrão da Cesgranrio. Marque a sua resposta e veja na hora o comentário de cada alternativa e a armadilha da questão.

Prova em 6 de dezembro
Questões na prova5030 do cargo · 10 de Português e 10 de Inglês Técnico Marítimo
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Responda sem consultar nada, como no dia da prova. Os temas: Principais compartimentos da embarcação; Principais poluentes das dalas da praça de máquinas e seus destinos; Partida estrela-triângulo: corrente de linha e conjugado; Chave eletrônica com transistor bipolar: resistor de base; Controle de duas posições e o diferencial.

Questão 1 de 5Principais compartimentos da embarcaçãofácil

Antes de passar um cabo novo no navio-tanque, o eletricista consulta o plano de arranjo geral e localiza um espaço vazio de isolamento, situado entre dois compartimentos adjacentes, que funciona como barreira entre eles e permite perceber o vazamento de qualquer um dos dois antes que o conteúdo alcance o outro. Esse compartimento éo

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Resposta: A. Coferdame é o espaço vazio de isolamento entre compartimentos adjacentes, que serve de barreira, de contenção e de meio de detecção de vazamento.

O coferdame é definido pela sua função: ele é um espaço de isolamento entre duas anteparas ou entre dois pavimentos adjacentes, mantido vazio (ou usado como lastro), cuja razão de existir é separar. Essa separação serve a três propósitos que o módulo de Arquitetura Naval, no capítulo dos principais compartimentos, apresenta juntos: ser barreira entre conteúdos que não podem se misturar, conter o que eventualmente escape de um lado e permitir detectar o vazamento, porque quem sonda o coferdame e encontra produto onde deveria haver espaço vazio sabe, por isso mesmo, que um dos dois compartimentos vizinhos está furado.

Em navio-tanque o coferdame aparece em posições típicas: separando a região de carga das acomodações e da praça de máquinas, separando tanque de carga de tanque de combustível e isolando tanques de produtos incompatíveis. Para o eletricista ele importa por duas razões práticas. Primeira: coferdame é espaço confinado, e nele não se entra nem se trabalha sem permissão, medição de atmosfera, ventilação e vigia. Segunda: é espaço normalmente não ventilado e não iluminado em serviço, de modo que qualquer equipamento elétrico levado para dentro dele segue as regras de área classificada e de iluminação portátil aprovada.

A chave para acertar a questão está na expressão espaço vazio de isolamento. Todos os outros compartimentos oferecidos têm conteúdo ou função própria: o duplo fundo carrega lastro ou combustível, o tanque de decantação recebe resíduo, o túnel do eixo abriga a linha de eixo e o paiol de amarras guarda a amarra. Nenhum deles existe para separar.

Por que as outras estão erradas

  • BO duplo fundo é o espaço entre o fundo externo e o fundo interno do casco, usado como tanque de lastro ou de combustível e como proteção em caso de encalhe. Tem conteúdo e função de tanque, não de isolamento.
  • CO tanque de decantação recebe e deixa separar resíduo de carga e água de lavagem no navio-tanque. É tanque de serviço, com conteúdo próprio.
  • DO túnel do eixo é a passagem estanque por onde corre o eixo propulsor entre a praça de máquinas e a popa. É caminho de um componente mecânico, não barreira entre compartimentos.
  • EO paiol de amarras guarda as amarras que descem pela gateira. É compartimento de estiva, e não espaço de isolamento.
A armadilha desta questãoDuplo fundo e coferdame são ambos espaços vazios do casco e se confundem. O duplo fundo é tanque, com conteúdo; o coferdame existe justamente para ficar vazio e separar. Legislação Marítima e Ambiental

Onde está no Dossiê: Capítulo 1.4 · Principais compartimentos da embarcação

Questão 2 de 5Principais poluentes das dalas da praça de máquinas e seus destinosfácil

Ao fazer manutenção num painel da praça de máquinas, o eletricista percebe óleo acumulado na dala sob o equipamento. Sobre os poluentes da praça de máquinas e os seus destinos, é correto afirmar que

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Resposta: C. Água de porão para o tanque de sentina e o separador; borra para o tanque de borra, com entrega em terra ou incineração, nunca para o separador.

A dala é a calha do piso da praça de máquinas que conduz ao poço de sentina tudo o que cai ou vaza, e o conteúdo do poço é sempre mistura oleosa. O capítulo dos principais poluentes das dalas, no módulo de Gestão Ambiental, organiza a matéria por destinos, e são quatro: o tanque de sentina, que recebe a água de porão para tratamento; o tanque de borra, que recebe o resíduo oleoso concentrado; o separador de porão com medidor de teor de óleo e válvula automática de retorno, que trata a água de porão; e a entrega em instalação de recebimento em terra, sempre com registro e recibo.

A regra que a questão cobra é a que separa sentina de borra. Água de porão é água suja de óleo, com óleo em suspensão, e é exatamente para isso que o separador foi dimensionado. Borra é óleo sujo de resto: resíduo pastoso da purificadora, de dreno, de fundo de tanque. Borra no separador entope o coalescedor e arruína o equipamento, e por isso ela não tem caminho para o separador nem para o mar: sai por entrega em terra ou por incineração em incinerador aprovado, sempre com lançamento no Livro de Registro do Óleo.

O capítulo traz ainda a hierarquia de controle que o eletricista aplica no próprio serviço: não gerar, combatendo o vazamento, vem antes de conter, com bacia e tabuleiro sob o equipamento e recolhimento com absorvente; conter vem antes de tratar; e tratar vem antes de entregar em terra. Duas armadilhas desse conjunto aparecem como distratores. Detergente na dala é o pior atalho possível, porque emulsiona o óleo e óleo emulsionado não decanta, de modo que o navio passa a ter mistura intratável. E estopa oleosa e elemento filtrante usado não são lixo comum: são resíduo contaminado por óleo, guardados em recipiente metálico com tampa por causa do risco de combustão espontânea, com destino de entrega em terra.

Por que as outras estão erradas

  • ABorra nunca vai ao separador: ela entope o elemento coalescente e arruína o equipamento. O medidor de teor de óleo não muda isso.
  • BO detergente emulsiona o óleo, e emulsão não se separa por gravidade. O correto é recolher com absorvente, não lavar.
  • DSão resíduos contaminados por óleo, acondicionados em recipiente metálico fechado pelo risco de combustão espontânea e entregues em terra.
  • EO condensado do sistema de ar comprimido arrasta óleo, e é justamente a fonte diária que passa despercebida por ser operação banal.
A armadilha desta questãoSentina não é borra. Água suja de óleo tem caminho de tratamento; óleo sujo de resto não tem, e quem o manda ao separador paga o equipamento.

Onde está no Dossiê: Capítulo 10.3 · Principais poluentes das dalas da praça de máquinas e seus destinos

Questão 3 de 5Partida estrela-triângulo: corrente de linha e conjugadomédia

Uma bomba de lastro é acionada por motor de indução trifásico de gaiola com corrente nominal de 60 A e relação entre corrente de partida e corrente nominal igual a 6. O motor tem seis terminais acessíveis e a sua ligação em triângulo corresponde à tensão da rede de bordo, de modo que se adota chave de partida estrela-triângulo. No instante da partida, com o motor ligado em estrela, a corrente de linha e o conjugado de partida valem, respectivamente,

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Resposta: D. 360/3 = 120 A de corrente de linha e conjugado reduzido a um terço, pela relação quadrática com a tensão por enrolamento.

A partida estrela-triângulo parte de uma ideia simples: o motor é construído para trabalhar em triângulo na tensão da rede e, na partida, é ligado em estrela, de modo que cada enrolamento recebe a tensão de linha dividida por raiz de três, isto é, 57,7 por cento da tensão para a qual foi projetado. Terminada a aceleração, comuta-se para triângulo e o motor passa a receber a tensão plena.

Resolução passo a passo. Primeiro, a corrente de partida direta: Ip = 6 x 60 = 360 A de corrente de linha, que é a que a rede teria de fornecer se o motor partisse em triângulo. Segundo, a demonstração do um terço, com Z a impedância por enrolamento com rotor bloqueado e V a tensão de linha: em triângulo, cada enrolamento vê V, a corrente de fase é V/Z e a de linha é raiz de três vezes V/Z; em estrela, cada enrolamento vê V dividido por raiz de três, a corrente de fase é V/(raiz de três x Z), e em estrela a corrente de linha é igual à de fase. A razão entre as duas correntes de linha é, então, 1 dividido por raiz de três vezes raiz de três, isto é, um terço. Terceiro, o valor numérico: 360/3 = 120 A.

E o conjugado. Como o conjugado do motor de indução é proporcional ao quadrado da tensão aplicada por enrolamento, a razão é (1 sobre raiz de três) ao quadrado, que também dá um terço. Esse é o par de números do método, tal como o capítulo de partida de motores do módulo de Sistemas Elétricos Marítimos o apresenta: a corrente de partida cai a um terço e o conjugado de partida cai a um terço. É por causa do segundo número que o método só serve para carga que parte aliviada, como bomba centrífuga com registro de descarga fechado, ventilador ou compressor com alívio de partida. Carga que exige conjugado alto desde o repouso não acelera em estrela: fica girando em baixa rotação com corrente alta e acaba desarmando por sobrecarga.

Por que as outras estão erradas

  • AA corrente está certa, mas o conjugado não se mantém: não existe método de partida com tensão reduzida que preserve o conjugado. Em estrela ele também cai a um terço.
  • B208 A corresponde a dividir a corrente de partida direta por raiz de três, e não por três. A divisão por raiz de três é a relação entre corrente de linha e de fase, não a redução obtida pela estrela.
  • C360 A é a corrente de partida direta, em triângulo. É exatamente o valor que a chave estrela-triângulo existe para evitar.
  • ERepete o erro da divisão por raiz de três na corrente e aplica à tensão, e não ao seu quadrado, a redução do conjugado: 57,7 por cento é a tensão por enrolamento, e o conjugado cai com o quadrado dela.
A armadilha desta questãoO raiz de três aparece na tensão por enrolamento; na corrente de linha e no conjugado o efeito é ao quadrado, isto é, um terço. Quem para no raiz de três cai no 208 A.

Onde está no Dossiê: Capítulo 11.8 · Partida estrela-triângulo: corrente de linha e conjugado

Questão 4 de 5Chave eletrônica com transistor bipolar: resistor de basedifícil

Um transistor bipolar NPN é usado como chave no lado baixo para acionar a bobina de um relé auxiliar de painel, que exige corrente de coletor de 150 mA. A folha de dados do transistor declara ganho de corrente mínimo de 30, e a tensão base-emissor em saturação é de 0,8 V. O comando vem de uma saída de 5 V, e o projeto adota fator de sobresaturação igual a 2. O resistor de base deve valer, aproximadamente,

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Resposta: B. Ib = 2 x (0,150/30) = 10 mA e Rb = (5 - 0,8)/0,010 = 420 ohms.

O capítulo das chaves eletrônicas com transistor bipolar, no módulo de Eletrônica Aplicada, organiza esse dimensionamento em passos, e o erro de projeto mais comum de bordo é justamente pular um deles. A exigência de fundo é que o transistor esteja realmente saturado, e não quase saturado: em saturação a tensão entre coletor e emissor é mínima e a dissipação é pequena; na região ativa indevida, coexistem corrente alta e tensão alta e o componente se destrói.

Resolução passo a passo. Primeiro, a corrente de coletor é imposta pela carga: Ic = 150 mA. Segundo, a corrente de base mínima, calculada com o ganho mínimo da folha de dados, nunca com o típico: Ib mínima = 0,150/30 = 5 mA. Terceiro, a aplicação do fator de sobresaturação: Ib de projeto = 2 x 5 = 10 mA. Quarto, a malha de base, que é a tensão de comando menos a tensão base-emissor em saturação, sobre o resistor: Rb = (5 - 0,8)/0,010 = 4,2/0,010 = 420 ohms. Quinto, a conferência pelo ganho forçado: 0,150/0,010 = 15, valor menor que o ganho mínimo de 30, o que confirma a saturação mesmo na pior unidade do lote.

Dois pontos de projeto fecham o raciocínio. O primeiro é por que se usa o ganho mínimo: o fabricante garante apenas o mínimo, e um circuito calculado com ganho típico encontra, no componente real de ganho baixo, corrente de base insuficiente, o que tira o transistor da saturação. O segundo é por que existe o fator de sobresaturação: ele cobre a queda do ganho com a corrente e com a temperatura, a tolerância dos resistores e da tensão de comando e a necessidade de saturação profunda. E, tratando-se de carga indutiva, o projeto exige ainda o diodo de roda livre em paralelo com a bobina, sem o qual a tensão de retorno no desligamento destrói o transistor no primeiro acionamento.

Por que as outras estão erradas

  • A280 ohms corresponde a fator de sobresaturação 3, e não 2, isto é, a uma corrente de base de 15 mA.
  • C500 ohms resulta de dividir os 5 V inteiros pela corrente de base, sem descontar a tensão base-emissor em saturação.
  • D840 ohms corresponde a usar a corrente de base mínima de 5 mA, sem aplicar o fator de sobresaturação. O transistor ficaria no limite da saturação, que é exatamente o que o fator evita.
  • E1 000 ohms soma os dois erros: omite o fator de sobresaturação e não desconta a tensão base-emissor.
A armadilha desta questãoSão dois descontos fáceis de esquecer: usar o ganho mínimo, e não o típico, e subtrair a tensão base-emissor da tensão de comando. Cada omissão tem o seu distrator pronto na lista.

Onde está no Dossiê: Capítulo 12.7 · Chave eletrônica com transistor bipolar: resistor de base

Questão 5 de 5Controle de duas posições e o diferencialfácil

O pressostato do compressor de ar de serviço está ajustado para desligar o motor em 8,0 bar, com diferencial de 1,5 bar. Sobre o funcionamento dessa malha, é correto afirmar que

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Resposta: C. Parte em 6,5 bar, para em 8,0 bar, a pressão oscila entre os dois, e o diferencial limita o número de manobras.

No controle descontínuo, o elemento final só assume valores discretos: o compressor está ligado ou desligado, e não existe meia bomba. A consequência inevitável, que o capítulo de controle descontínuo do módulo de Automação Aplicada sublinha, é que a variável de processo oscila, e isso não é defeito: é a forma de funcionamento do método. O diferencial, também chamado de histerese ou banda morta, é a diferença entre o valor em que o dispositivo atua e o valor em que ele repõe, e é ele que define os dois limites da oscilação.

Com desligamento ajustado em 8,0 bar e diferencial de 1,5 bar, o religamento se dá em 8,0 menos 1,5, isto é, 6,5 bar. O ciclo é: o consumo de ar derruba a pressão; em 6,5 bar o pressostato fecha o contato e o compressor parte; o compressor entrega mais do que se consome e a pressão sobe; em 8,0 bar o contato abre e o compressor para; o consumo volta a derrubar a pressão e, em 6,5 bar, o ciclo recomeça. A pressão nunca fica em 7,25 bar: ela passa por 7,25 bar o tempo todo, subindo e descendo.

O diferencial existe por uma razão destrutiva se ignorada. Com diferencial zero, o compressor ligaria e desligaria praticamente no mesmo valor, e qualquer fração de milibar acima ou abaixo comandaria uma manobra, de modo que o dispositivo passaria a chavear continuamente. As consequências que a apostila lista são quatro: destruição dos contatos do contator por arco e erosão; aquecimento acumulado do enrolamento do motor, porque cada partida drena várias vezes a corrente nominal e a ventilação própria ainda não funciona plenamente; sofrimento do conjunto mecânico; e perturbação do barramento elétrico, que num navio com geração limitada afeta os outros consumidores. O diferencial obriga a variável a percorrer um intervalo inteiro antes de cada manobra, e é frequentemente complementado por um retardo de tempo, que garante intervalo mínimo entre partidas.

Por que as outras estão erradas

  • AO controle de duas posições não estabiliza a variável em nenhum valor: ela oscila entre os dois limites do diferencial. O valor médio é atravessado, não mantido.
  • BO diferencial se subtrai do ponto de desligamento nesta aplicação: o compressor parte em 6,5 bar, e não em 9,5 bar, que estaria acima do ponto de parada.
  • DDiferencial zero produz chaveamento contínuo, que destrói contatos, aquece o enrolamento do motor e perturba o barramento. É o pior ajuste possível, não o ideal.
  • EA oscilação é inerente ao controle de duas posições e não indica defeito. Substituir por controle contínuo é opção de projeto, não correção de falha.
A armadilha desta questãoNum compressor, o diferencial é contado para baixo do ponto de desligamento. Quem soma em vez de subtrair obtém um ponto de partida acima do ponto de parada, o que é impossível.

Onde está no Dossiê: Capítulo 14.6 · Controle de duas posições e o diferencial

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