Questão 1 de 5Transporte de LDP: dobrar o ângulo na proamédia
Um navio-tanque em cabotagem governa o rumo verdadeiro 000°, com velocidade constante de 12,0 nós na água e sem corrente apreciável na área. Às 04h00, o oficial de quarto marca um farol a 30° pelo bombordo. Mantidos o rumo e a velocidade, às 04h30 o mesmo farol é marcado a 60° pelo bombordo. Qual é a distância do navio ao farol no instante da segunda marcação?
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Resposta: C. A distância navegada em 30 minutos a 12,0 nós é 6,0 milhas, e ela é igual à distância ao farol na segunda marcação.
A situação descrita é o caso clássico de transporte de LDP conhecido como dobrar o ângulo na proa, tratado no Capítulo 1.2. Observa-se a marcação relativa de um ponto de apoio e, mais tarde, observa-se o mesmo ponto quando a marcação relativa tiver exatamente o dobro do valor inicial. Aqui, 30° pelo bombordo passaram a 60° pelo bombordo: o ângulo dobrou.
A razão de o método funcionar é puramente geométrica. As duas visadas e o trecho de derrota percorrido entre elas formam um triângulo isósceles: o ângulo interno junto à primeira posição vale 30°, o ângulo externo junto à segunda posição vale 60°, e portanto o ângulo no vértice do farol também vale 30°. Como dois ângulos do triângulo são iguais, os dois lados que se opõem a eles também são iguais, e um deles é a distância navegada, enquanto o outro é a distância ao farol no instante da segunda marcação.
O cálculo, então, se resume a determinar a distância navegada. Passo 1: intervalo entre as observações, 04h30 − 04h00 = 30 minutos, ou 0,5 hora. Passo 2: distância navegada = 12,0 nós × 0,5 h = 6,0 milhas. Passo 3: pela propriedade do triângulo isósceles, a distância ao farol às 04h30 é igual a essa distância navegada, ou seja, 6,0 milhas.
Obtida a distância, a posição fica definida cruzando a circunferência de igual distância de 6,0 milhas centrada no farol com a LDP de marcação correspondente aos 60° pelo bombordo, isto é, marcação verdadeira 300°. Vale lembrar, como adverte o Capítulo 1.2, que essa é uma posição observada que carrega o erro da navegação estimada do intervalo: se houvesse corrente não considerada, ela entraria inteira no resultado. O caso particular mais famoso desse método é o das marcações de 45° e do través, em que a distância navegada é igual à distância ao ponto no momento em que ele fica pelo través.
Por que as outras estão erradas
- AResulta de dividir por dois a distância navegada, na suposição errada de que, se o ângulo dobrou, o navio percorreu o dobro da distância ao ponto. A relação é de igualdade, não de proporção.
- BÉ 6,0 × cos 30° = 5,196 milhas. Aplica trigonometria desnecessária: a propriedade do triângulo isósceles dispensa qualquer função trigonométrica.
- DÉ 6,0 / cos 30° = 6,93 milhas. Mesmo erro de método da alternativa B, com a função trigonométrica invertida.
- EDobra a distância navegada por analogia indevida com a duplicação do ângulo. O que dobra é a marcação relativa, não a distância.
Onde está no Dossiê: Capítulo 1.2 · Transporte de LDP: dobrar o ângulo na proa