Questão 1 de 5Ponto de fulgor, ponto de combustão e ponto de igniçãofácil
Ao receber uma remessa de óleo combustível residual em terminal aquaviário, o Segundo Oficial de Máquinas confere no certificado de análise três temperaturas características do produto: 74 °C, 92 °C e aproximadamente 340 °C. Considerando as definições técnicas de ponto de fulgor, ponto de combustão e ponto de ignição, qual afirmativa associa corretamente uma dessas temperaturas ao seu conceito?
Ver resposta comentada
Resposta: E. 340 °C é a temperatura de autoignição, única que dispensa fonte externa de ignição, e é sempre a mais alta das três.
Os três pontos térmicos do Capítulo 1.3 se distinguem por apenas duas perguntas: existe fonte externa de ignição? A chama se mantém?
O ponto de fulgor (flash point) é a menor temperatura em que o líquido desprende vapores em quantidade suficiente para formar, com o ar logo acima da superfície, uma mistura que se inflama momentaneamente ao contato de uma chama piloto, sem que a combustão se mantenha. Há fonte externa e a chama apenas lampeja. É o mais baixo dos três, e nesta remessa corresponde aos 74 °C. O ponto de combustão (fire point) tem também chama piloto, mas a queima se mantém por um tempo mínimo, tipicamente cinco segundos; fica de 10 °C a 30 °C acima do fulgor, o que aqui corresponde aos 92 °C. O ponto de ignição, ou temperatura de autoignição, dispensa completamente qualquer fonte externa: a mistura de vapor e ar se inflama sozinha pelo aquecimento, e nos derivados de petróleo situa-se tipicamente entre 250 °C e 450 °C, o que identifica os 340 °C.
A ordem é invariável: fulgor menor que combustão, que é muito menor que autoignição. Fulgor e combustão são propriedades do líquido, porque medem a facilidade de gerar vapor inflamável; a autoignição é propriedade da mistura de vapor e ar, e mede a resistência da molécula a se oxidar sem faísca.
A leitura operacional dos três números está no mesmo capítulo. O tanque de armazenamento é aquecido a 40 °C ou 50 °C, bem abaixo dos 74 °C. A linha de injeção, porém, circula a cerca de 134 °C, acima até do ponto de combustão: um vazamento nessa linha produz um jato que se inflama e se mantém aceso se encontrar fonte de ignição. E o coletor de escape sem isolamento pode ultrapassar os 340 °C, dispensando qualquer fonte: basta o contato do óleo com a superfície quente. É essa cadeia que fundamenta a exigência de blindagem das linhas de alta pressão e de isolamento das superfícies quentes na praça de máquinas.
Por que as outras estão erradas
- AErrada. 74 °C é o menor dos três valores e corresponde ao ponto de fulgor, em que a chama apenas lampeja e não se mantém. A manutenção da chama por cerca de cinco segundos define o ponto de combustão, que é o valor intermediário, 92 °C.
- BErrada. 92 °C é o valor intermediário e corresponde ao ponto de combustão. O ponto de fulgor é o mais baixo dos três, 74 °C, e nele a chama não se mantém.
- CErrada. 340 °C está muito acima da faixa de ponto de combustão de um residual marítimo, que é de 75 °C a 120 °C, e a definição apresentada (chama piloto presente e queima autossustentada) é a de ponto de combustão, não a de autoignição.
- DErrada. Inverte a ordem invariável dos três pontos. A autoignição é sempre a mais alta das três temperaturas, e não a mais baixa, porque exige energia térmica suficiente para iniciar a reação sem nenhuma faísca ou chama.
Onde está no Dossiê: Capítulo 1.3 · Ponto de fulgor, ponto de combustão e ponto de ignição